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The Ghost in the Shell Encerra a 1ª Temporada: Vale a Pena Assistir o Novo Anime da Major Motoko Kusanagi?

Por André Rodrigues · 18 de set. de 2026

Imagem: Divulgação/Science SARU

Depois de dez episódios lançados semanalmente desde julho, "The Ghost in the Shell" fechou sua primeira temporada em 8 de setembro e já pode ser maratonado do início ao fim. A nova adaptação, produzida pelo estúdio Science SARU (o mesmo de "Devilman Crybaby" e "Scott Pilgrim Takes Off"), promete ser a releitura mais fiel já feita do mangá original de Masamune Shirow, de 1989, deixando de lado os desvios que filmes e séries anteriores da franquia tomaram ao longo dos anos. E depois de acompanhar a temporada inteira, dá pra dizer que a proposta foi cumprida — com ressalvas. Um Final Corrido, mas Fiel ao Espírito da Major O décimo episódio, batizado de "Brain Drain III + Ghost Coast + Epilogue", fecha o arco do Puppet Master exatamente como no material original: a Major tem seu corpo protético destruído a tiros, foge como um cérebro desconectado ao lado de Batou e acaba sendo tomada pela consciência do próprio Puppet Master, supostamente destruído, enquanto seu corpo está em modo de bloqueio. É o tipo de desfecho filosófico e melancólico que sempre definiu "Ghost in the Shell" — a pergunta sobre o que faz alguém ser "gente" quando a mente pode ser copiada, hackeada ou fundida com outra. O problema, apontado por boa parte da crítica internacional, é o ritmo. A produção conseguiu encaixar o mangá inteiro em apenas dez episódios, o que deixou pontas soltas e uma sensação de correria justamente no arco final, quando mais elementos precisavam de espaço para respirar. Não é à toa que boa parte dos comentários de fãs pede uma segunda temporada com pelo menos doze episódios — tempo que a HBO e a Netflix costumam dar para arcos do tipo em adaptações de peso semelhante. A Voz Que Sucede uma Lenda: Maaya Sakamoto Como a Nova Major Um dos maiores diferenciais dessa versão é justamente o elenco. Motoko Kusanagi, desde o filme de 1995, sempre foi sinônimo da voz de Atsuko Tanaka — até a atriz falecer em agosto de 2024. Para a nova série, a produção escalou Maaya Sakamoto (conhecida por papéis como Hitomi em "Escaflowne" e Riza Hawkeye em "Fullmetal Alchemist") para assumir o papel, em uma escolha que virou notícia por si só no Japão.
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Em entrevistas divulgadas antes da estreia, Sakamoto falou abertamente sobre o peso emocional de herdar a personagem: contou que teve contato profissional com Atsuko Tanaka desde jovem, admirava tanto a atriz quanto a pessoa, e que gravar as falas da Major se tornou um momento de reflexão sobre gratidão e luto. É um daqueles bastidores que dão um sentido extra para quem assiste sabendo da história por trás do microfone — a nova Major carrega, literalmente, uma homenagem dentro da própria voz. O Que a Crítica e os Fãs Estão Falando A recepção geral ficou na faixa do "muito bom, mas incompleto". Veículos especializados como Anime News Network e But Why Tho? elogiaram a fidelidade visual e temática ao mangá, a direção de Mokochan e a forma como a série tratou o núcleo filosófico da história — a fusão entre a Major e o Puppet Master — com cuidado, mesmo sacrificando subtramas menores pelo caminho. Reviews de episódio a episódio também destacaram a trilha sonora e a direção de arte como pontos altos, algo que os fãs mais old school da franquia (formados pelo filme de 1995 e por "Stand Alone Complex") aprovaram. Do lado dos pontos fracos, a repetição mais comum é a de que o ritmo acelerado prejudicou personagens secundários da Seção 9, que mal tiveram tempo de tela para se firmar como fizeram em versões anteriores. Ainda assim, quem gosta do estilo mais autoral da Science SARU tende a sair satisfeito — a temporada entrega o que promete, mesmo que compacta demais para o próprio material. Vale a Pena Maratonar? Para quem já é fã da franquia, sim: é a chance de ver o mangá de Shirow adaptado quase página a página, algo que nem o filme de 1995 nem "Stand Alone Complex" fizeram até esse ponto. Para quem nunca assistiu nada de "Ghost in the Shell", pode ser uma porta de entrada mais densa do que o esperado — vale assistir com atenção redobrada nos primeiros episódios, que estabelecem bastante lore sobre cibernética, hackeamento de "ghosts" e a Seção 9. Com a primeira temporada encerrada e a recepção geralmente positiva, a expectativa agora é por uma confirmação oficial de continuação. Nem Science SARU nem a Prime Video se pronunciaram sobre uma segunda temporada até o momento, mas, dado o desempenho da leva de episódios e o carinho do público com a homenagem a Atsuko Tanaka, as chances parecem favoráveis.