O mapa que aparece nas aberturas de Mushoku Tensei — com o Continente Central, o Continente Demoníaco separado por um mar, e as diferentes raças espalhadas por territórios distintos — não existe por acaso. Ele é o resultado direto de três guerras devastadoras que aconteceram ao longo de milhares de anos, depois que a Guerra dos Deuses forçou todas as raças sobreviventes a migrar para um único mundo. Este é o resumo de como esse mapa foi moldado, guerra após guerra.
O ponto de partida: um só continente, várias raças
Depois que quatro dos seis mundos originais foram destruídos na Guerra dos Deuses, humanos, demônios, elfos, homens-bestas e outras raças sobreviventes migraram em massa para o único mundo que restou intacto: o mundo humano. No início, todos viviam espremidos em um único e mesmo continente — o que, previsivelmente, não deu muito certo a longo prazo.
A Primeira Grande Guerra Humano-Demônio
A primeira das três grandes guerras entre humanos e demônios aconteceu entre 6 e 7 mil anos antes da história principal, ainda com as duas raças ocupando a mesma massa de terra. Foi travada sob a liderança da Grande Imperatriz Demônio Kishirika Kishirisu, filha do próprio Deus Demônio, contra os humanos, que na época contavam com um herói lendário à frente da resistência. Os humanos venceram essa primeira guerra, mas a paz durou pouco.
A Segunda Guerra e a ascensão de Badigadi
Décadas depois, Kishirika ressurgiria — ela possui a habilidade de reencarnar repetidamente — e formaria uma nova aliança, desta vez com as raças bestial e oceânica, iniciando a Segunda Grande Guerra Humano-Demônio. Foi nesse conflito que um humano chamado Badigadi encontrou a lendária Armadura do Deus da Luta, criada e depois selada pelo próprio Laplace anos antes. Aconselhado por Hitogami a usá-la para proteger sua noiva, Badigadi vestiu a armadura e se tornou, ele mesmo, o Deus da Luta — poderoso o bastante para matar Kishirika em batalha e virar o jogo a favor dos humanos.
A divisão do continente
Ainda possuído pelo poder da armadura, Badigadi não parou depois de derrotar Kishirika: ele seguiu direto para um confronto contra o próprio Laplace, o comandante original que havia criado a armadura. Foi essa batalha — não a guerra contra Kishirika, como muitas vezes se conta de forma simplificada — que literalmente rachou o continente em dois, formando o que hoje conhecemos como Continente Central e Continente Demoníaco. Os demônios, derrotados, foram empurrados para as terras mais devastadas e inférteis do novo continente separado, alimentando ainda mais ressentimento entre as raças.
A Guerra de Laplace: o terceiro e mais sangrento capítulo
A mesma batalha contra Badigadi teve uma consequência ainda maior: partiu a alma de Laplace ao meio, criando dois seres separados, o Deus da Técnica e o Deus Demônio Laplace. Foi esse último, motivado por um ódio corrompido e quase instintivo pela raça humana, quem começaria a terceira e mais sangrenta guerra da história — a Guerra de Laplace — unindo praticamente todas as tribos demoníacas num ataque direto ao Continente Central.
O fim da guerra e o equilíbrio frágil de hoje
Os humanos, agora com os Sete Heróis Lendários ao seu lado, convenceram as demais raças a recuar da guerra, isolando o conflito entre humanos e demônios. Mesmo assim, os heróis não conseguiram derrotar Laplace — apenas selá-lo, com a ajuda do próprio Deus Dragão sobrevivente daquela era, do Deus do Norte e do Rei Dragão Armadurado Perugius, que continua vivo até os dias de hoje. Depois disso, uma paz tensa e desconfortável se instalou: cada raça ficando restrita, em grande parte, ao seu próprio território, com preconceitos e rancores que ainda ecoam por todo o mundo de Mushoku Tensei quando a história de Rudeus começa.
Por que isso ainda importa na trama atual
Esse histórico de guerras explica praticamente tudo sobre a geografia e a política do mundo em Mushoku Tensei: por que demônios vivem isolados em terras hostis, por que existe tanto preconceito racial ainda presente, e por que figuras antigas como Perugius — que viveu boa parte dessa história em primeira mão — carregam tanto peso e conhecimento sobre eventos que a maioria dos personagens atuais sequer sabe que aconteceram.