← Voltar FilmesNotícia

Cara-de-Barro (Clayface): Estreia, Elenco, Mike Flanagan e o Que a Crítica Já Disse do Primeiro Terror do DCU

Por André Rodrigues · 18 de out. de 2026

Imagem: Divulgação/DC Comics

Se você achava que o DCU do James Gunn só ia de capa colorida e cachorro voador, prepare o estômago: Cara-de-Barro (Clayface, no original) chega aos cinemas brasileiros em 22 de outubro, um dia antes dos Estados Unidos, e vem com cara de pesadelo de Halloween. É o primeiro filme de terror do estúdio, e as primeiras reações da crítica estrangeira já circulam por aí com adjetivos como "brutal" e "freakishly awesome". Vamos destrinchar o que se sabe, o que mudou no caminho e por que esse projeto pequeno pode ser mais importante para o DCU do que parece. Do que o filme trata Matt Hagen é um ator em ascensão em Hollywood que tem o rosto gravemente desfigurado. Desesperado para recuperar a aparência, ele se oferece como cobaia de uma cientista de métodos pouco ortodoxos, a Dra. Caitlin Corr, vivida por Naomi Ackie (a própria produção a compara a figuras como Elizabeth Holmes). O tratamento funciona... por um tempo. Os efeitos colaterais são horríveis e o corpo de Matt vira argila viva, capaz de mudar de forma, mas também de se desfazer. Aqui não tem o tom caricato de vilão de gibi: a proposta é body horror sombrio, sem campy. Quem leva o filme nas costas é Tom Rhys Harries, no papel de Matt. A crítica que já viu o filme, como a primeira impressão publicada pelo Omelete, destaca justamente isso: o público simpatiza com o personagem e acompanha sua decadência de perto, o que é essencial num filme em que o monstro é, antes de tudo, uma vítima. Max Minghella interpreta o detetive John Borelli, da polícia de Gotham, que namora Caitlin, e o elenco ainda conta com Eddie Marsan e David Dencik. A história por trás da história Esse filme tem uma origem curiosa. Mike Flanagan, o mestre do terror por trás de A Maldição da Residência Hill e da série Carrie (que a gente já comentou por aqui), propôs a ideia ao DC Studios em março de 2023. Ele é fã declarado do Clayface de Batman: A Série Animada, de 1992, em especial do episódio "Feat of Clay", em que Matt Hagen era um ator que se transformava no monstro de argila, com a voz marcante de Ron Perlman. Dá para sentir essa herança na premissa inteira. Só que Flanagan não dirigiu. A agenda estava lotada com outros projetos e o comando foi para James Watkins, diretor de Speak No Evil (2024) e de A Mulher de Preto. O roteiro foi reescrito por Hossein Amini a partir da história de Flanagan, e James Gunn afirmou que as mudanças foram pequenas. A estreia, aliás, foi adiada: era 11 de setembro e foi empurrada para a janela do Halloween, o que faz todo o sentido comercial.
📖 Continue lendo
Bastidores: pouco dinheiro, muita argila O orçamento ronda os US$ 40 milhões, o que é bem enxuto para os padrões de super-herói. As filmagens aconteceram entre 31 de agosto e 1º de novembro de 2025, em Liverpool e nos estúdios Warner Bros. Leavesden, na Inglaterra, com o título de trabalho "Corinthians". Os efeitos visuais ficaram com a Framestore, a trilha com Volker Bertelmann (vencedor do Oscar por Nada de Novo no Front) e a fotografia com Rob Hardy. Uma curiosidade que rende respeito: Tom Rhys Harries teria filmado todas as cenas com o ligamento cruzado anterior rompido. Dedicação, ou masoquismo de ator, você decide. O que dizem as primeiras reações As manchetes de veículos como Variety e iHorror falam em body horror "freakishly awesome", brutal e sangrento, e uma das primeiras críticas depois da première em Los Angeles deu quatro estrelas, descrevendo o filme como "um pouco de tudo". O Omelete elogia o terror eficiente e a atuação de Harries, mas faz uma ressalva: a montagem passa a impressão de um filme comprimido, como se faltasse alguma coisa. É um sinal de alerta que vale guardar, porque filmes de monstro vivem de tempo para o sofrimento do personagem respirar. E o Batman nisso tudo? Provavelmente fora da tela. A leitura do Omelete é que o herói não aparece, no estilo dos filmes do Coringa, mas como a história se passa no universo principal do DCU, uma participação surpresa não está descartada. Faz sentido: Cara-de-Barro é o terceiro longa live-action do novo DCU, depois de Superman e Supergirl, e serve para provar que o universo aguenta gêneros diferentes. Depois de um Supergirl que patinou nas bilheterias, a Warner precisa que um projeto barato e ousado dê certo. Esse é o tipo de aposta em que dá para errar pouco no prejuízo e acertar muito na identidade. Veredito do Mestre Eu entro na sala com o ingresso na mão e as expectativas na medida certa: um body horror com coração, ancorado no melhor tipo de vilão trágico que o Batman já teve nos quadrinhos, é exatamente o que o DCU precisava para mostrar que não é só mais uma fábrica de capas. Se a montagem não atrapalhar, tenho fé de que vai ser o filme mais memorável do estúdio até aqui. Se você tem estômago, vai ao cinema. Se não tem, leve um saquinho. Depois conta nos comentários se o Cara-de-Barro te deu pesadelo ou só vontade de modelar argila.