Street Fighter (2026): Elenco Completo, Data de Estreia no Brasil e o Que Esperar do Filme
Por André Rodrigues · 30 de set. de 2026
Imagem: Capcom
Quem cresceu enfiando ficha em fliperama sabe: Street Fighter nunca foi só sobre soco. É sobre rivalidade, sobre aquele amigo que te humilhou no Hadouken e virou seu maior parceiro de vida. E agora, com a estreia marcada para o dia 16 de outubro nos Estados Unidos (a programação dos cinemas brasileiros aponta o dia 15 por aqui), a Paramount e a Legendary finalmente vão mostrar se conseguiram fazer o que ninguém fez até hoje: um filme decente da franquia.
De Punch a Street Fighter: a estrada esburacada até o cinema
A Legendary comprou os direitos de cinema e TV da franquia em abril de 2023, e o projeto já nasceu com título de trabalho de peso: Punch. Os irmãos Danny e Michael Philippou, do Talk to Me, chegaram a ser cotados para dirigir, mas saíram em junho de 2024 para tocar Bring Her Back. Em setembro daquele ano o cargo foi para Kitao Sakurai, que assumiu a missão de traduzir 30 anos de pancadaria para a tela grande.
A data original era março de 2026, mas o filme foi adiado em 2025 e só então ganhou o slot de outubro. As filmagens rolaram na Austrália entre agosto e novembro de 2025, e a primeira prévia apareceu na cerimônia do The Game Awards. O filme tem 2h05 de duração e classificação PG-13 nos EUA, o que já entrega que não vamos ver o sangue de um Mortal Kombat.
A história: 1993, torneio e três pessoas quebradas
A sinopse oficial coloca a trama em 1993, época do auge do Street Fighter II nos arcades. Ryu e Ken, dois lutadores afastados, são arrastados de volta ao combate quando a misteriosa Chun-Li os recruta para o próximo Torneio do Guerreiro Mundial. É a mesma premissa clássica dos games, só que com o ingrediente que sempre fez falta nas adaptações anteriores: a ideia de que essa amizade rachou e precisa ser reconstruída no soco.
Repare na escolha de ambientar tudo no começo dos anos 90. Isso permite estética de neon, fliperama e jaqueta jeans sem precisar pedir desculpas, e também dá a desculpa perfeita para o tom mais exagerado que os trailers vêm vendendo. Quem esperava um Street Fighter sombrio e realista se enganou de filme.
O elenco: um festival de lutadores, wrestlers e músicos
O trio central tem Andrew Koji como Ryu, Noah Centineo como Ken Masters e Callina Liang como Chun-Li. Koji é a aposta mais segura: ele já provou fôlego de lutador em Warrior e em Trem-Bala. Centineo é o palpite mais arriscado, um galã de comédia romântica que precisa convencer como o loirão mais arrogante dos games. Callina Liang, de Foundation, carrega a responsabilidade de ser o centro emocional da história.
Aí vem a lista que faz o fã do gênero arregalar o olho: Jason Momoa como Blanka, 50 Cent como Balrog, David Dastmalchian como M. Bison, Roman Reigns como Akuma, Cody Rhodes como Guile, Olivier Richters (o Gigante Holandês, de 2,18 m) como Zangief, Vidyut Jammwal como Dhalsim, Orville Peck como Vega, Mel Jarnson como Cammy, Hirooki Goto como E. Honda, Rayna Vallandingham como Juli, Alexander Volkanovski como Joe e Andrew Schulz como Dan Hibiki. Eric André entra como o comentarista Don Sauvage.
Dá pra ver o método: quando o personagem é gigante, colocaram um gigante. Zangief com um bodybuilder de mais de dois metros, Honda com um ex-campeão de luta livre japonesa, Dhalsim com um astro indiano de artes marciais, Joe com um ex-campeão do UFC. É a primeira adaptação que parece ter pensado em corpo antes de pensar em peruca.
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Onde mora o risco
Nem tudo é festa. Os trailers apostaram num tom bem camp, cheio de exagero, e parte do público torceu o nariz para a mistura de humor com porrada. Dan Hibiki, personagem que nos games é literalmente uma piada de paródia, foi para as mãos de um comedista, o que divide opiniões. Vega com um cantor country mascarado gerou estranhamento, e Bison precisa de uma presença ameaçadora que Dastmalchian, mais conhecido por papéis esquisitos e vulneráveis, vai ter que provar que tem.
Também chama atenção o que ficou de fora. Sagat, o carrasco que deixou a cicatriz no peito de Ryu e é peça central da história dele, não aparece no elenco anunciado, assim como Fei Long, Dee Jay e T. Hawk. Para quem espera a saga completa do Ryu, pode ser uma ausência sentida, embora abra espaço para uma continuação.
O que a gente espera de verdade
O filme de 1994 com Jean-Claude Van Damme virou cult pelo motivo errado, e A Lenda de Chun-Li, de 2009, foi um desastre reconhecido até pelos fãs mais teimosos. O piso, portanto, é baixo. O teto, com esse elenco e uma Legendary que sabe fazer blockbuster de monstros, é bem alto. A chave vai estar no equilíbrio: se o filme entender que Street Fighter funciona quando leva a sério a rivalidade e não leva a sério o resto, a gente sai do cinema gritando Shoryuken.
O ideal é ver na maior tela possível, de preferência com aquele amigo que você já perdeu mil rounds para. Se a Paramount acertar a mão, é o começo de uma franquia. Se errar, pelo menos vai render meme por 30 anos.
Veredito do Mestre
Estou apostando em diversão, não em obra-prima. Koji, Momoa e Richters já me convenceram só de aparecer, e a decisão de ambientar tudo em 1993 mostra que alguém ali realmente jogou. Se o roteiro tratar a amizade de Ryu e Ken com o respeito que ela merece, esse pode ser o primeiro filme de videogame de luta que a gente defende sem constrangimento. Só não me venham com Hadouken sem som, porque aí eu não perdoo.