Teve gente esperando mais de um dia na fila pra pegar lugar na Hall H da San Diego Comic-Con 2026, e a recompensa veio com ronco de moto. Kevin Feige trouxe Ryan Gosling ao palco ao som de um motor acelerando, e a plateia entendeu na hora: o Ghost Rider vai finalmente morar no Universo Cinematográfico da Marvel, com Shawn Levy (o diretor de Deadpool & Wolverine) na direção e estreia marcada para 28 de julho de 2028.
É daquelas notícias que parecem fanfic de fórum de 2008 virando realidade. Então vamos por partes: o que foi de fato confirmado, quem é o Motoqueiro Fantasma que o Gosling pode vestir, e por que essa escolha faz mais sentido do que parece.
O que a Marvel realmente confirmou
O básico oficial: um novo filme solo do Ghost Rider, com Ryan Gosling no papel principal e Shawn Levy dirigindo, nos cinemas em 28 de julho de 2028. O logo e o tratamento do título foram revelados logo depois da fala do ator. Roteirista e produtores não foram citados nos materiais que a Marvel divulgou, então qualquer nome circulando por aí por enquanto é boato.
O que veio de bônus foi a história dos bastidores. Gosling e Levy estão trabalhando juntos em Star Wars: Starfighter, que chega aos cinemas em 28 de maio de 2027, e foi no intervalo das gravações que a ideia nasceu. Segundo Levy, conforme Gosling falava da visão dele para o personagem, os dois começaram a trocar ideias, até que ele soltou um "Bro, let's ride". Gosling, por sua vez, disse que esse é um personagem que ele queria interpretar havia muito tempo e que só existia um diretor capaz de fazer o filme. Feige ainda brincou que vivia sendo perguntado quando o Ghost Rider e o Gosling entrariam na Marvel.
E tem um detalhe curioso: é o primeiro papel de super-herói de quadrinhos na carreira do ator. Depois de Drive e Blade Runner 2049, ele chegar justamente num anti-herói motociclista de alma condenada soa quase como destino.
Qual Ghost Rider é esse?
Aqui mora a pergunta de um milhão de dólares, porque o Ghost Rider não é um só. Parte da imprensa americana afirmou que Gosling será Johnny Blaze, mas o comunicado da própria Marvel fala apenas em "Ghost Rider", sem cravar o nome. Vale tratar o Blaze como forte candidato, não como fato fechado. Pra entender as apostas, bora conhecer o trio principal.

Johnny Blaze é o original. Ele estreou em Marvel Spotlight #5, em agosto de 1972, criado por Roy Thomas com Gary Friedrich no roteiro e Mike Ploog no desenho. Blaze é um dublê de moto que vende a alma a um demônio pra salvar o pai adotivo, e a coisa dá aquele tipo de errado que só um acordo com o Mephisto dá. O espírito preso a ele é Zarathos, e a revista própria dele durou de 1973 até a edição 81, em 1983. É o Ghost Rider de moto, de caveira em chamas e de maldição pessoal, e é o que o grande público associa ao nome.
Danny Ketch e Robbie Reyes: as alternativas

Danny Ketch chegou em 1990, na terceira série do herói, como o irmão mais novo de Blaze que ninguém sabia que existia. O visual dele é puro anos 90 de quadrinhos, com jaqueta de couro cheia de espinhos, corrente mística e uma moto futurista. É a versão mais "tecnológica" e, de certa forma, a que mais se afasta do mito do pacto com o diabo.

Robbie Reyes veio em 2014, na fase Marvel NOW!, criado por Felipe Smith com design de Smith e Tradd Moore. Ele é um jovem mexicano-americano de East Los Angeles, e o carro dele é um muscle car preto, não uma moto. Se você viu Gabriel Luna na quarta temporada de Agents of S.H.I.E.L.D., já conhece essa versão. A série nunca foi oficialmente incorporada ao cânone do MCU, o que deixa o personagem com um pé dentro e um pé fora.
Tem ainda Alejandra Jones, que virou Ghost Rider em 2011 durante Fear Itself, mas ela tem pouco peso nessa discussão. A moto é o que aparece no teaser do motor, e isso aponta pro lado do Blaze ou do Ketch.
E o Nicolas Cage nessa história?
Ele foi o Johnny Blaze em Ghost Rider (2007) e em Ghost Rider: Espírito de Vingança (2012), filmes da Sony fora do MCU. Eva Mendes fez a Roxanne Simpson no primeiro. Os dois filmes dividem opinião até hoje, e a pergunta óbvia é se o novo longa vai dialogar com esse legado ou fingir que ele não existe. A Marvel não falou nada sobre isso, então qualquer teoria aqui é especulação. A minha aposta é que o filme vai tratar o personagem como uma reinvenção total, com tom mais sombrio e menos caricato.
Por que o Levy faz sentido (e o que me preocupa)
O Levy provou em Deadpool & Wolverine que sabe entregar fan service sem esquecer de contar uma história com coração. Mas Ghost Rider pede outro tom: é terror sobrenatural, culpa, pacto demoníaco e estrada. Comédia demais mata o personagem, e o próprio Levy vem muito mais da fórmula divertida do que do horror. A boa notícia é que o Gosling tem um histórico de personagens calados, intensos e meio condenados, e isso encaixa com um herói que luta contra o monstro dentro de si.
Outro ponto: a data. Julho de 2028 é longe, e a Marvel já tem outros projetos no caminho antes disso. Ainda dá tempo de sobra pra mudança de planos, de roteirista, de tudo. Por enquanto estamos no território da promessa, e promessa de estúdio pede um pouco de ceticismo saudável.
Veredito do Mestre
Eu estou animado, mas com o pé no freio. Ryan Gosling num personagem que ele sonhava interpretar é um ótimo começo, e o Shawn Levy tem crédito pra tentar. Só que Ghost Rider só funciona se tiver coragem de ser sombrio de verdade, e o MCU nem sempre topa isso. Se vierem moto, correntes e um Gosling carregando a culpa do pacto, 2028 vai ser longo de esperar, mas vai valer cada quilômetro.