Mestres do Universo: o filme de He-Man que fracassou no cinema e virou fenômeno no streaming
Por André Rodrigues · 03 de ago. de 2026
Confesso que fui ver esse com o pé atrás. He-Man é daquelas franquias que parecem impossíveis de acertar: ou você leva a sério demais e vira ridículo, ou você faz piada demais e perde a magia. Boa notícia: Mestres do Universo, que estreou em junho, entendeu o recado e acertou mais do que eu esperava.
Do que se trata
A história é a clássica jornada do herói, sem enrolação. Adam (Nicholas Galitzine), criado escondido na Terra depois de fugir de Etérnia ainda criança, precisa aceitar a Espada do Poder e virar He-Man pra enfrentar Esqueleto (Jared Leto), agora dono de um planeta destruído. É simples, quase ingênuo de propósito — o roteiro não tenta reinventar a franquia, tenta devolver aquela aventura juvenil sincera que Hollywood meio que esqueceu como fazer sem ironia.
O que funciona (e funciona bem)
Nicholas Galitzine surpreende. Ele não faz de He-Man só um monte de músculo posando — a insegurança do Adam antes da transformação é o que segura o personagem, e isso é difícil de acertar num filme desse tipo. Idris Elba como Duncan também é andaime sólido: presença, humor seco, peso dramático mesmo em pouco tempo de tela.
Mas o show mesmo é o Jared Leto. Esqueleto podia facilmente ter virado caricatura vazia, mas ele abraça o exagero sem perder a ameaça — teatral, vaidoso, com um quê de tragédia por trás da caveira. Toda vez que ele aparece na tela, o filme sobe de nível.
A trilha sonora também merece elogio: Daniel Pemberton com colaboração de Brian May (sim, o guitarrista do Queen) cria uma pegada roqueira meio glam que cai perfeitamente no clima "brinquedo ganhando vida" que a franquia sempre teve.
Os tropeços
Nem tudo é perfeito. O roteiro passou por tanta mão (quatro roteiristas creditados) que às vezes parece colcha de retalhos — comédia, épico, drama de trauma familiar, fan service, tudo tentando caber junto sem sempre encaixar. A jornada emocional do Adam é apressada em alguns pontos, e o clímax final sofre de excesso: efeitos, criaturas e destruição demais na tela ao mesmo tempo, perdendo um pouco a clareza de quem está lutando com quem.
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Ainda assim, nada disso é grave o suficiente pra estragar a experiência. É irregular, mas sincero — e sinceridade importa muito numa adaptação desse tipo.
O fracasso nas bilheterias (que virou vitória depois)
Aqui que a história fica interessante de verdade. Mesmo com um orçamento entre US$ 170 e 200 milhões, o filme abriu com apenas US$ 54 milhões no mundo todo no primeiro fim de semana — um resultado considerado uma das grandes decepções de bilheteria de 2026. Pareceu que o filme ia morrer ali, esquecido.
Só que, assim que chegou ao catálogo do Prime Video, tudo mudou. Mestres do Universo virou fenômeno de audiência na plataforma, alcançando o primeiro lugar entre os filmes mais assistidos em dezenas de países. Prova de que às vezes o problema não é o filme, é só a barreira de pagar ingresso de cinema por algo que parecia arriscado demais pra tanta gente.
Vale a pena assistir?
Vale, principalmente agora que está fácil de acessar no streaming e sem o compromisso de ingresso caro. Não espera um épico perfeito, espera uma aventura nostálgica bem-humorada com um vilão inesquecível carregando o filme nas costas. Pelo poder de Grayskull, essa aqui rendeu.
Você já assistiu? Concorda que o Jared Leto rouba a cena, ou tem outro personagem que te conquistou mais? Comenta aqui embaixo!