Escândalo e Intriga: Crítica do Dorama de Son Ye-jin e Ji Chang-wook na Netflix — Vale a Pena Assistir?
Por André Rodrigues · 21 de set. de 2026
Imagem: Unsplash/Thuong Uyen Dinh
Se você é fã de dorama e passou os últimos dias vendo o nome "Escândalo e Intriga" pipocar na sua timeline, pode parar de se perguntar se vale o play: a série estreou dia 18 de setembro na Netflix com os oito episódios liberados de uma vez, no formato que todo mundo já sabe que vira maratona sem hora pra acabar. E o motivo do hype tem nome e sobrenome: Son Ye-jin, aquela mesma de "Pousando no Amor", voltando às telinhas num papel bem mais sombrio do que os romances fofinhos que a consagraram.
A produção é a versão sul-coreana ambientada na era Joseon de "Ligações Perigosas", o clássico francês de Pierre Choderlos de Laclos que já virou filme umas boas vezes mundo afora — inclusive na própria Coreia, com o longa "Untold Scandal" de 2003, que serve de base direta pra essa releitura em série. Trocando em miúdos: é a história eterna de gente rica, entediada e cruel apostando com sentimentos alheios como se fosse jogo de tabuleiro, só que agora com hanbok, protocolo confuciano e a pressão absurda que recaía sobre a reputação das mulheres naquela época.
Do que se trata Escândalo e Intriga
Na trama, uma proposta secreta desperta desejos proibidos e dá início a um perigoso jogo de sedução, manipulação e vingança. Lady Cho é uma nobre brilhante, ambiciosa, mas presa pelas regras rígidas que a sociedade Joseon impõe às mulheres — ela é inteligente demais pro lugar que a deixam ocupar. Ela reencontra o primo Cho Won, um aristocrata que nutria sentimentos antigos por ela, mas que virou um conquistador barato, tratando relacionamentos como esporte. Entre os dois entra Hui-yeon, uma jovem viúva inocente que os dois transformam em peça de uma aposta cruel — e que, claro, acaba sentindo bem mais do que deveria.
O pulo do gato de "Escândalo e Intriga" é que ninguém ali é exatamente quem parece ser. É um daqueles enredos onde toda cena de sedução é também uma jogada de xadrez, e cada personagem esconde uma dor ou uma ambição que só vai aparecer nos episódios finais.
Elenco: quem é quem
Son Ye-jin interpreta Lady Cho, a nobre que desafia — à sua maneira, dentro do que é possível — as amarras impostas às mulheres da época. É um papel bem mais ambíguo do que a atriz costuma pegar, e é justamente esse contraste que tem sido elogiado pela crítica internacional.
Ji Chang-wook, que os fãs de dorama já conhecem de "De Volta às Raízes" (Backstreet Rookie) e de outros títulos de peso, vive Cho Won, o playboy da aristocracia que trata sedução como hobby até topar com alguém que ele não consegue manipular tão fácil assim.
Já NANA, atriz e ex-integrante do grupo After School que chamou atenção em "Mask Girl", dá vida a Hui-yeon, a viúva que devia ser só um peão no jogo dos dois e que acaba sendo o centro emocional de tudo. A direção é assinada por Jung Ji-woo.
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De Ligações Perigosas ao Joseon
Não é a primeira vez que "Ligações Perigosas" ganha uma roupagem asiática — o filme "Untold Scandal", de 2003, já tinha feito esse transporte pra era Joseon com Bae Yong-joon e Lee Mi-sook, e é considerado hoje um clássico do cinema sul-coreano. A sacada de trazer a história pro formato série, com oito episódios pra respirar mais devagar, permite que o triângulo entre Lady Cho, Cho Won e Hui-yeon ganhe camadas que um longa de duas horas não dá conta de explorar — cada aliança, cada mentira, cada decisão tem tempo de doer antes da próxima reviravolta.
Vale a pena assistir? O que a crítica diz
Sem spoiler: a recepção até agora está longe de ser unânime, e isso não é necessariamente ruim. A crítica especializada tem elogiado bastante a química entre o trio principal — segundo o South China Morning Post, é justamente essa combustão entre Son Ye-jin, Ji Chang-wook e NANA que sustenta a adaptação nos momentos em que o roteiro escorrega. E ele escorrega, sim: o maior ponto fraco apontado é o ritmo, com alguns trechos demorando demais pra sair de uma cena emocional pra outra, testando a paciência de quem espera um dorama mais ágil.
Por outro lado, a direção de Jung Ji-woo aposta numa estética contida, deixando as relações entre os personagens puxarem a história — figurino de época, cenários e uma encenação mais controlada dão o tom de tensão crescente, ainda que parte do público tenha achado a fotografia aquém do que o elenco de peso merecia. No fim das contas, "Escândalo e Intriga" entrega o que promete pra quem gosta de intriga palaciana com pitada de romance proibido: não é perfeito, mas prende, e o final da temporada tem gerado bastante discussão nos fóruns de dorama.
Se você curtiu "A Rainha dos Lágrimas" ou tem fraco por Son Ye-jin desde "Pousando no Amor", vale colocar "Escândalo e Intriga" na lista — só não espere um ritmo eletrizante do início ao fim. É mais suspense de olhar de esguelha do que ação, mas quando a série acerta, acerta bonito.
Os oito episódios de "Escândalo e Intriga" já estão disponíveis no catálogo da Netflix, todos de uma vez, prontos pro maratonão.