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Por que Supergirl Fracassou nos Cinemas? Bilheteria, Crítica e o Que Isso Muda para o DCU de James Gunn

Por André Rodrigues · 08 de out. de 2026

Imagem: Divulgação/DC Comics

Vamos falar a real: Supergirl era para ser a prova de que o DCU de James Gunn tinha fôlego além do Superman. Em vez disso, virou o primeiro grande tropeço da nova fase da DC. O filme chegou aos cinemas em 25 de junho de 2026, custou algo em torno de US$ 170 milhões (algumas estimativas chegam a US$ 186 milhões) e encerrou a carreira nas salas com cerca de US$ 126 milhões no mundo todo. Matemática ruim, e olha que nem contamos marketing. Os números do tombo A estreia já deu o tom: segundo a imprensa, o fim de semana de abertura ficou perto de US$ 68 milhões globais, sendo US$ 38 milhões na América do Norte e US$ 30 milhões no resto do mundo, bem abaixo do que se projetava. Para comparar, o Superman de 2025 abriu com cerca de US$ 230 milhões globais e fechou com pouco mais de US$ 618 milhões. O segundo fim de semana foi o golpe de misericórdia. Uma queda de 74% na bilheteria doméstica, com apenas US$ 9,6 milhões no fim de semana, levou o total global a US$ 100,5 milhões em 5 de julho. A Variety chegou a estimar prejuízo de US$ 100 a US$ 120 milhões para o estúdio. Pouco mais de dois meses depois, em 10 de setembro, o filme já estava na HBO Max. Crítica rachada, público mais camarada Aqui mora um detalhe curioso. No Rotten Tomatoes, a crítica ficou na faixa dos 53% a 59%, dependendo do dia da consulta, enquanto o público deu algo como 77%. Ou seja: quem foi gostou mais do que a turma de jornal. O problema é que quase ninguém foi. Os elogios giram em torno de Milly Alcock. Vários críticos apontam que ela segura o filme com uma Kara de ressaca emocional, cansada e vulnerável, bem diferente da heroína solar a que estamos acostumados. Na outra ponta, as reclamações se repetem: tom indeciso entre drama pesado e humor sem graça, ação mal iluminada e um Lobo (Jason Momoa) que parece mais um cartão de visita para filmes futuros do que parte da história. O que mudou da HQ de Tom King O filme adapta Supergirl: Mulher do Amanhã, de Tom King e Bilquis Evely, uma das HQs mais elogiadas dos últimos anos. Kara viaja pelo espaço ao lado de Ruthye, uma garotinha alienígena que quer vingar a morte do pai nas mãos do bandido Krem. Na HQ, o envenenamento do Krypto funciona quase como uma lição de vida. No cinema, a situação do cachorro vira a motivação central de Kara, e alguns críticos acham que isso diminui a protagonista, que perde a agência na própria jornada.
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Há também a escolha de reforçar o lado sombrio, com o clã de bandidos ligado ao sequestro de meninas. Para parte da crítica isso deu profundidade; para outra, soou pesado demais para a embalagem de aventura espacial. Por que o filme não pegou? Três hipóteses Primeira: o timing. Filmes de super-herói perderam o status de evento obrigatório, e uma personagem menos famosa que o Superman precisava de uma campanha muito mais forte para convencer o público casual. Segunda: o tom. Uma road trip suja, melancólica e violenta não é exatamente o que a família inteira procura no cinema de junho. Terceira: o peso do universo compartilhado. Quando um filme precisa apresentar Lobo, preparar sequências e ainda contar uma história íntima, algo fica pelo caminho. Vale dizer que essas são leituras possíveis, não verdades absolutas. Nem os veículos que cobriram a estreia chegaram a um consenso sobre a causa. E o futuro do DCU? A boa notícia para a DC é que o calendário segue de pé. Superman: Man of Tomorrow terminou as filmagens, com David Corenswet enfrentando Brainiac, e a HBO já tem Lanterns em andamento. O DCU nunca dependeu de um único filme, e Gunn e Peter Safran sempre falaram em construção de longo prazo. Mas o recado ficou claro: o público não vai aceitar qualquer projeto só porque leva o selo do universo novo. Veredito do Mestre Supergirl não é o desastre que a bilheteria sugere, mas também não é o filme que a HQ de Tom King merecia. Milly Alcock merece uma segunda chance como Kara, de preferência num roteiro que confie mais na personagem e menos em gancho de franquia. Se você ainda não viu, a HBO Max é o lugar certo para tirar a prova sem gastar ingresso, e depois me conta se você ficou do lado da crítica ou do público.