Tem jogo que chega fazendo barulho por causa do marketing, e tem jogo que chega fazendo barulho porque o povo que jogou saiu falando. Phantom Blade Zero, o action RPG de kung fu do estúdio chinês S-Game, está firmemente no segundo grupo. Ele sai em 29 de outubro para PS5 e PC, custa R$ 229,90 no Brasil e vem com uma proposta que dá água na boca de quem passou os últimos anos apanhando de Sekiro: um soulslike com pegada de filme de wuxia, coreografia de luta de cinema e, olha só, um relógio de vida contando contra você.
O jogo que fugiu de setembro (e fez bem)
A primeira data de lançamento era 9 de setembro de 2026. Só que setembro estava um caos de lançamentos grandes, e em junho a S-Game decidiu empurrar o jogo para 29 de outubro, anunciando também um State of Play dedicado só para ele. Normalmente adiamento dá aquele frio na barriga, mas aqui a leitura é de confiança: em vez de brigar por atenção com meia dúzia de gigantes, o estúdio escolheu um mês mais calmo e ganhou tempo extra de polimento.
Um detalhe prático para quem vai jogar no Brasil: segundo o Antihype, o jogo destrava às 23h do dia 28 de outubro no horário de Brasília. Ou seja, quem for dormir tarde já sai jogando.
A história: 66 dias para se vingar
Você controla Soul, um guerreiro do submundo de artes marciais de Wulin. Ele é acusado falsamente de assassinar o próprio líder, perde um duelo e morre. Só que, como acontece em Sekiro, uma figura misteriosa o traz de volta, agora com uma ferida fatal no coração e exatamente 66 dias de vida. O objetivo é simples e brutal: encontrar uma cura enquanto caça os traidores que armaram tudo.
O que me chama atenção é como essa premissa não fica só no texto de apresentação. Ela vira regra de jogo, como a gente vai ver daqui a pouco no modo de dificuldade mais pesado. E, segundo o vídeo de bastidores divulgado pelo estúdio, as decisões nas missões secundárias, ajudando os moradores que cruzam o caminho de Soul, podem influenciar o rumo da história principal. Wuxia sempre foi sobre honra, dívida e consequência, então faz sentido o jogo querer que suas escolhas pesem.
Como se luta: Sekiro de um lado, Stellar Blade do outro
As prévias da imprensa gringa batem em uma comparação quase unânime: o ritmo rápido e a lógica de aparar golpes lembram Sekiro, o brilho das finalizações e a coreografia lembram Stellar Blade, e a sensação de jogo polido e acessível lembra produções da Sony. Soul tem ataques leves e pesados, defesa com contra-ataque, esquiva e poções de cura limitadas que voltam quando você descansa. Os ataques inimigos são legíveis: golpes que podem ser aparados avisam com um brilho azul, e os pesados exigem esquiva.
O arsenal é grande. Fala-se em mais de 30 armas principais, entre espadas duplas, katana, espada longa, lança, canhão e arco, além de 25 armas secundárias chamadas Phantom Edges. Você pode ajustar a build no meio da campanha, o que é ótimo para quem empacar num chefe e quiser testar outra abordagem em vez de repetir a mesma briga 40 vezes. O estúdio ainda mostrou o estilo da Espada Embriagada, que é aquela vibe de mestre bêbado de filme de Jackie Chan, e muita captura de movimento por trás das animações.
Dificuldade: do passeio ao relógio da morte
Aqui o jogo mostra que pensou em gente de todo tipo de habilidade. No topo da escala ficam três níveis principais, do modo Wayfarer, mais cinematográfico e permissivo, ao Hellwalker, onde os chefes se comportam quase como partidas de jogo de luta e punem erro sem dó. Acima disso existe o modo Sixty-Six Days, uma versão de morte permanente com cara própria: ele usa a dificuldade Hellwalker, mas cada morte tira dias da vida de Soul. Zerou o contador, acabou a sessão.
A sacada é que não é o permadeath clássico de recomeçar do zero a cada tropeço. É mais tolerante que isso, mas ainda assim aterrorizante, porque a ameaça é narrativa. Os próprios desenvolvedores recomendam dominar o Hellwalker antes de se arriscar. Se você é do time que adora um desafio autoimposto, esse modo vai ser seu playground.
Preço, edições e requisitos
A edição Standard custa R$ 229,90 e a Digital Deluxe, R$ 279,90, com o mesmo preço na PlayStation Store, Steam e Epic Games Store. A Deluxe traz só itens cosméticos, artbook digital e trilha sonora, sem nenhum conteúdo de gameplay, então quem quer apenas jogar não perde nada na Standard. Os bônus de pré-venda também são cosméticos.
No PC, o mínimo para 1080p a 30 fps é uma GTX 1660 ou RX 5500 XT com Core i7-8700K ou Ryzen 5 3600 e 16 GB de RAM. O recomendado, para 1440p a 60 fps, pede uma RTX 3060 Ti ou RX 6700 XT, com Core i5-10600K ou Ryzen 5 5600X. SSD é obrigatório. Ray tracing pede uma RTX 5060 para 1080p a 60 fps, e o path tracing exige uma RTX 5080 para 4K a 60 fps. Boa notícia para a galera brasileira: menus e legendas vêm em português do Brasil, mas a dublagem completa só em inglês e mandarim.
O que ainda é incógnita
Vale manter os pés no chão. Até aqui tudo que sabemos vem de prévias e demonstrações controladas, e a imprensa já apontou em análises preliminares que o ponto fraco costuma ser o peso emocional da trama, não o combate. Também não há número confiável de duração da campanha, e a dublagem em português não existe. Se você é do tipo que espera as análises completas antes de gastar R$ 229,90, está coberto: elas devem pipocar na semana do lançamento.
Veredito do Mestre
Eu estou com o hype lá em cima, e não é por causa de gráfico. É porque o jogo transformou a premissa do wuxia, aquele herói condenado com pouco tempo, em sistema de dificuldade, e porque deixou claro que dá para jogar de forma acessível sem virar um jogo diluído. Se o resto da campanha sustentar o que as prévias mostraram, Phantom Blade Zero tem tudo para ser o soulslike do fim de 2026 que vai render conversa até o ano que vem. Chegou a hora de treinar o parry e separar os R$ 229,90.