Depois de anos de expectativa (e de um cancelamento pela própria HBO Max antes de a série sequer estrear),
Lanterns finalmente chegou e surpreendeu todo mundo. A série estreou em 16 de agosto na HBO e na HBO Max, já lançou dois episódios semanais e, ao contrário do que boa parte dos fãs esperava de uma produção sobre Lanterna Verde, não é um festival de anéis de poder voando pelo espaço. É um drama policial denso, ambientado no interior de Nebraska, com mais DNA de *True Detective* do que de filme de super-herói tradicional — e isso é exatamente o que está funcionando.
Do Que Trata a Série
A trama acompanha Hal Jordan (Kyle Chandler), um Lanterna veterano prestes a se aposentar, e John Stewart (Aaron Pierre), o novato que ele está treinando para ser seu substituto na Terra. Os dois investigam uma morte misteriosa em uma pequena cidade do interior americano — um caso que parece banal à primeira vista, mas que rapidamente revela ligações com ameaças de origem extraterrestre. A narrativa se move em linhas do tempo alternadas: 1986, quando Hal recebe o anel de Abin Sur; 2016, quando já treina John; e 2026, quando John retorna à cidade de Rushville e encontra Hal morto, congelado e sem o anel no dedo. É essa estrutura fragmentada — e o mistério de como Hal chegou a esse fim — que sustenta boa parte da tensão da temporada.
Um Time de Criadores de Peso
O que explica o tom maduro e o ritmo mais contemplativo de Lanterns é a equipe por trás das câmeras: Chris Mundy (roteirista da última temporada aclamada de *True Detective*), Damon Lindelof (criador de *Watchmen* e *The Leftovers*) e o quadrinista Tom King, um dos nomes mais respeitados da DC Comics na última década. Segundo os próprios criadores, a primeira temporada de *True Detective* foi a referência direta de tom e estrutura — e isso aparece na tela: menos exposição de universo compartilhado, mais silêncios, paisagens áridas e diálogos que carregam peso emocional real entre os protagonistas.

O Que a Crítica Está Dizendo
Os números não mentem: Lanterns estreou com 95% de aprovação entre críticos no Rotten Tomatoes e 82% do público, uma marca rara para qualquer produção do gênero em 2026. Veículos como Variety, The Hollywood Reporter e IndieWire destacaram a química entre Kyle Chandler e Aaron Pierre como o grande trunfo da série, com a IndieWire chamando o resultado de "poderosamente brilhante" mesmo com influências óbvias de Watchmen e True Detective. Já a crítica ao primeiro episódio apontou que o piloto ainda não havia provado por que a história precisava, necessariamente, de Lanternas Verdes para funcionar — uma dúvida que o segundo episódio, lançado em 23 de agosto, já começou a responder ao aprofundar a relação de confiança (e desconfiança) entre Hal e John.
Onde Lanterns se Encaixa no Universo de James Gunn
Diferente de reboots anteriores da DC, Lanterns não é uma história isolada: faz parte oficialmente do "Capítulo Um: Deuses e Monstros", a nova fase do DCU comandada por James Gunn, que já inclui o filme Superman (2025), a série Peacemaker e o próximo longa Supergirl. A conexão mais direta aparece no elenco: Nathan Fillion reprisa seu Guy Gardner, o mesmo personagem debochado que apareceu em Superman e na segunda temporada de Peacemaker, agora como um dos Lanternas em cena. Gunn já declarou publicamente que a série "é muito importante para estabelecer coisas" no futuro do universo, sem detalhar o quê — mas rumores de bastidores apontam que tanto Aaron Pierre quanto Fillion devem levar seus personagens adiante em Man of Tomorrow, a sequência de Superman prevista para o verão de 2027.
Vale a Pena Assistir?
Para quem espera uma série de super-herói nos moldes clássicos, com muita ação e efeitos visuais espalhafatosos, Lanterns pode surpreender pelo ritmo mais lento e pela abordagem quase de cinema independente. Mas é justamente essa escolha ousada que está rendendo à DC uma de suas recepções críticas mais fortes da década. Com oito episódios ao todo, lançamento semanal até 4 de outubro e um mistério central que só se aprofunda, a série tem tudo para se tornar um case de como adaptar heróis cósmicos sem perder a alma humana da história. Se os dois primeiros episódios são amostra do que vem a seguir, James Gunn pode ter encontrado a fórmula certa para sustentar o novo universo DC a longo prazo.