
Orbitals: o exclusivo de Switch 2 feito por um ex-diretor de It Takes Two que só precisa de uma cópia para dois jogarem
Por André Rodrigues · 09 de set. de 2026
Imagem: Divulgação/Kepler Interactive
Se você tem um Switch 2 e um parceiro de jogatina fixo, presta atenção nesse aqui. Orbitals, lançado em 3 de setembro pela Shapefarm e publicado pela Kepler Interactive, chegou fazendo o que poucos exclusivos conseguem: juntar visual de anime clássico, puzzles cooperativos genuinamente inteligentes e uma recepção de crítica que já rendeu 9/10 da Nintendo Life e a comparação direta com It Takes Two. E não é força de expressão — tem gente da Hazelight Studios por trás disso.
Um co-op assimétrico com DNA de It Takes Two
O diretor do jogo, Jakob Lundgren, passou anos na Hazelight trabalhando em A Way Out, It Takes Two e Split Fiction antes de embarcar nesse projeto. E dá pra sentir. Em Orbitals, os dois jogadores controlam Maki e Omura, cada um com ferramentas que o outro não tem: uma usa o Scraphook, um gancho para prender em plataformas, alavancas e portas; a outra fica com o Beam Cannon, precisando recarregar constantemente a bateria de um dronezinho chamado CH1B1 para manter os sistemas da nave funcionando enquanto o parceiro avança. Mais pra frente entra ainda o Liquid Launcher, que adiciona mecânicas com água.
Isso não é assimetria decorativa. É o motor que transforma "duas pessoas jogando a mesma coisa lado a lado" em "duas pessoas que precisam se comunicar de verdade" — a mesma lógica que fez Portal 2 e a série We Were Here funcionarem tão bem no cooperativo. A diferença é que aqui a dependência é constante: não basta resolver um puzzle juntos, é preciso coordenar em tempo real só para manter as coisas funcionando.
Uma coisa interessante é que, diferente dos jogos da Hazelight, Orbitals dá liberdade total: os dois personagens podem usar qualquer ferramenta, não existe uma classe "fixa". Isso evita aquela frustração clássica de sentir que escolheu o personagem mais fraco da dupla.
Maki e Omura: a dupla que precisa aprender a se virar sozinha
A história segue dois exploradores espaciais que crescem juntos como se fossem irmãos dentro do Assentamento, uma estação presa havia quinze anos por uma tempestade cósmica que nenhuma nave conseguiu atravessar. Maki é cabeça-quente, mecânica de formação e do tipo que agarra o gato da nave só de animada; Omura é mais quieto, cartógrafo, sempre um pouco perdido nos próprios pensamentos. Juntos, eles saem rumo ao desconhecido, além da tempestade, numa corrida contra o tempo para salvar a estação antes que ela desmorone.
O diretor de criação Marcos Ramos, que já trabalhou em adaptações de anime como Naruto to Boruto: Shinobi Striker, cita Dragon Ball como referência direta: histórias simples, foco no personagem, sem complicar o enredo à toa. Funciona — o tom do jogo é caloroso, meio bobo às vezes, mas nunca irônico a ponto de estragar a aventura.


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A aposta visual: anime de verdade dentro do jogo
Aqui está o maior diferencial de Orbitals. A Shapefarm fechou parceria com a Studio Massket — mesma produtora por trás de Lycoris Recoil — para fazer as cutscenes do jogo inteiramente no estilo anime clássico, com influências declaradas de Cowboy Bebop, Dragon Ball e Neon Genesis Evangelion. Como a Unreal Engine 5 é otimizada por padrão para gráficos realistas, o diretor de arte Johannes Varmedal precisou construir um pipeline de renderização do zero só para sustentar esse visual "estufado", de cores planas e sem textura excessiva — o resultado lembra desenho animado dos anos 80 mesmo em movimento.
O mais impressionante é a transição entre as cutscenes desenhadas à mão e o jogo em si, que a crítica descreveu como quase imperceptível. Isso só foi possível porque as equipes de animação e de game design compartilharam ativos o tempo todo: cenários 3D feitos para o jogo aparecem nas cenas animadas, e pinturas 2D da Massket aparecem dentro do próprio mundo jogável.
Uma cópia, dois jogadores: como funciona o Friend's Pass
O detalhe mais comentado de Orbitals nem é sobre o jogo em si, mas sobre como comprá-lo. A Shapefarm criou o Orbitals Global Friend's Pass, um aplicativo gratuito na eShop do Switch 2: quem tem o jogo convida um amigo, que baixa o app de graça e entra na campanha completa sem pagar nada — o progresso dele só não é salvo se depois ele decidir comprar a própria cópia. Isso é diferente do recurso GameShare do próprio Switch 2, que transmite a tela do console anfitrião para o convidado sem instalar nada.
Na prática, dá pra jogar Orbitals de quatro formas: tela dividida local, GameShare local entre dois consoles, GameShare online entre dois Switch 2 com Nintendo Switch Online, ou o Friend's Pass totalmente online. Bastante flexível para quem só quer chamar um amigo para uma sessão.
Quanto custa e vale a pena?
A edição padrão sai por 39,99 dólares (o preço no Brasil deve seguir a conversão praticada pela própria eShop), com versão física disponível no mesmo valor. A edição Deluxe adiciona artbook digital, trilha sonora original e skins exclusivas para os personagens e para a nave — quem comprar a versão padrão pode adicionar esse conteúdo depois via DLC de 14,99 dólares. O jogo tem dublagem completa em oito idiomas, incluindo português brasileiro, e ocupa cerca de 9,8 GB.
Com 82 no Metacritic e 93% de recomendação no OpenCritic, Orbitals já entra para a lista dos exclusivos mais bem avaliados do Switch 2 em 2026. A maior crítica apontada pelos reviews é estrutural — como todo co-op assimétrico, às vezes um jogador fica esperando o outro terminar uma etapa —, mas a experiência foi desenhada de propósito para ser curta e ser concluída numa sessão só, não para virar um compromisso de semanas. Se você curte jogos como It Takes Two e tem alguém para chamar, é dificil não recomendar.