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One Piece: episódio de Elbaph mostra os Chapéus de Palha perdendo lutas pela primeira vez em anos
Por André Rodrigues · 31 de ago. de 2026
Imagem: Divulgação/Toei Animation
O arco de Elbaph, a ilha dos gigantes que já é apontada como um dos capítulos mais ambiciosos da reta final de One Piece, segue avançando semana a semana no Crunchyroll — e o episódio 1176, exibido nesta semana, deixou bem claro que a Toei Animation não está com pressa de deixar as coisas fáceis para a tripulação do Chapéu de Palha. Diferente do que normalmente se espera de um confronto contra vilões coadjuvantes, o episódio mostrou os Chapéus de Palha levando a pior em praticamente todas as frentes de batalha.
Um episódio construído na tensão, não na ação
O que chama atenção em 1176 é a escolha narrativa: em vez de apostar tudo em uma sequência de pancadaria espetacular, o episódio investe em construir um clima pesado e sufocante. É um tom que remete a arcos mais sombrios da série, priorizando a sensação de ameaça real em vez da comemoração de poder que normalmente acompanha os embates dos protagonistas.
Gunko rouba a cena
A grande novidade do episódio é Gunko, uma personagem que rapidamente se tornou o assunto mais comentado entre quem acompanha o arco. O que a torna tão inquietante não é só a habilidade de regeneração — que já a torna extremamente difícil de derrotar em combate direto — mas a personalidade fria, quase clínica, com uma ausência total de empatia por qualquer um dos lados do conflito. Esse tipo de vilão "sem emoção aparente" tende a funcionar muito bem em obras de ação porque tira do público a previsibilidade de negociação ou hesitação: Gunko simplesmente não opera pela lógica emocional que costuma guiar outros antagonistas de One Piece.
A tripulação dividida — e perdendo
Um dos detalhes mais marcantes do episódio é a formação do grupo que enfrenta Gunko: Jinbe, Nami, Usopp, Brook e Colon, reunidos a bordo do Svarr, o navio do próprio Colon. É uma escalação que já entrega o recado — nenhum dos combatentes de maior poder de fogo direto (como Luffy ou Zoro) está em campo nessa frente, o que deixa o grupo em desvantagem estrutural contra uma gigante com regeneração. O resultado, segundo quem já assistiu ao episódio, é uma das primeiras vezes em muito tempo que a série mostra os Chapéus de Palha claramente perdendo uma troca de golpes, sem um resgate imediato ou uma virada de poder de última hora.
Killingham e Sommers: o tabuleiro fica maior
Enquanto a ação imediata acontece no confronto com Gunko, cenas paralelas envolvendo os personagens Killingham e Sommers reforçam que existe uma trama maior se desenrolando nos bastidores de Elbaph. Esse tipo de construção é característica da fase atual de One Piece: Eiichiro Oda vem trabalhando com múltiplas camadas de conflito simultâneas, misturando a guerra imediata da tripulação com jogos de poder política entre as forças que disputam o controle da ilha dos gigantes.
Por que esse arco é diferente
Elbaph é o 33º arco de One Piece e o segundo da chamada Final Saga, ilha que já havia sido mencionada casualmente lá atrás na saga de Skypiea, décadas de história atrás — o tipo de pagamento de longo prazo que só uma obra do tamanho de One Piece consegue proporcionar. É também o cenário do reencontro entre Nico Robin e Jaguar D. Saul, personagem que muitos fãs consideravam morto desde o flashback de Ohara, e da apresentação do príncipe Loki, herdeiro amaldiçoado e desonrado do trono de Elbaph. Some a isso o fato de que 2026 trouxe uma mudança na estrutura de exibição — o anime passou a rodar em blocos de 26 episódios anuais, divididos em duas leiras de 13, reduzindo o ritmo em relação aos tradicionais 40 ou 50 episódios por ano — e dá para entender por que cada episódio, incluindo o 1176, está sendo dissecado com tanto cuidado pela comunidade.
O que esperar daqui para frente
Com o cronograma semanal confirmado no Crunchyroll e o arco ainda longe do desfecho, a expectativa é que o confronto com Gunko sirva como um gatilho para reunir a tripulação dividida — provavelmente trazendo os combatentes de maior calibre da equipe para o campo de batalha nos próximos episódios. Se o padrão dos arcos anteriores de One Piece se repetir, esse momento de desvantagem tende a ser o prenúncio de uma virada de jogo memorável, mas por enquanto Elbaph está entregando algo raro na reta final da série: a sensação genuína de que a vitória dos protagonistas não está garantida de antemão.