Michael vira a cinebiografia musical de maior bilheteria da história — mas divide a crítica
Por André Rodrigues · 03 de ago. de 2026
Imagem: Divulgação/Lionsgate
Nem toda cinebiografia precisa da aprovação da crítica pra fazer história nas bilheterias. "Michael" é a prova disso: o filme sobre a trajetória de Michael Jackson ultrapassou a marca de US$ 1 bilhão arrecadados ao redor do mundo depois de 12 semanas em cartaz, tornando-se a primeira cinebiografia musical a atingir esse patamar — superando até "Bohemian Rhapsody", que reinava como a mais rentável do gênero.
## Um Michael Jackson dentro da família
O grande trunfo de bastidores do filme está no elenco principal: quem interpreta o Rei do Pop é Jaafar Jackson, sobrinho de sangue do próprio astro (filho de Jermaine Jackson). A escalação não é só uma jogada de marketing — a semelhança física e a movimentação de palco impressionaram até os críticos mais reticentes com o resultado final do longa. Completam o elenco Colman Domingo como Joe Jackson, Miles Teller como o empresário John Branca e Nia Long como Katherine Jackson, sob a direção de Antoine Fuqua.
## O que a crítica achou
Aqui é onde a história fica mais interessante. A recepção especializada foi mista a negativa — o próprio Omelete deu nota "Regular" (2 de 5) ao filme, com a crítica de Marcelo Hessel apontando que "Michael" segue de perto a estrutura de "Bohemian Rhapsody": um "filme-de-karaokê" que cobre o período de ascensão do astro, do sucesso do Jackson 5 até o início da carreira solo com o álbum "Bad", mas evita deliberadamente os capítulos mais controversos da vida de Jackson, incluindo os anos do Rancho Neverland a partir de 1988.
Apesar da ressalva sobre o recorte "conveniente" da narrativa, a crítica reconhece elogios pontuais: a atuação de Jaafar Jackson é descrita como "melhor que a de Rami Malek" em Bohemian Rhapsody, por oferecer uma mimetização mais sutil e menos caricata do artista. Colman Domingo também recebe destaque por uma atuação "bombástica" como o pai de Michael.
## Por que o público foi (e continua indo) ao cinema
A explicação está numa combinação simples: nostalgia + trilha sonora insubstituível. O filme narra a trajetória por trás de clássicos como "Beat It", "Thriller" e "Bad", com números musicais que recriam momentos icônicos da carreira do artista — incluindo o já viral registro de Jaafar recriando o figurino do curta "Beat It". Para gerações que cresceram ouvindo essas músicas, ver esse universo recriado na tela grande, com atuação musical à altura, parece falar mais alto do que qualquer ressalva da crítica.
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Vale lembrar que os produtores do filme já confirmaram que a fase mais controversa da vida de Michael Jackson — incluindo os processos judiciais dos anos 1990 e 2000 — será tema de uma segunda parte, ainda sem data confirmada.
## Vale assistir?
Se você é fã da discografia de Michael Jackson, sim — a trilha sonora e a atuação de Jaafar Jackson sozinhas já valem o ingresso. Só não espere uma biografia que confronte de frente as contradições do artista: como a maioria das cinebiografias musicais "autorizadas" da última década, "Michael" prefere celebrar o legado a esmiuçar as polêmicas.
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Tudo sobre "Michael": mais de US$ 1 bilhão arrecadados mundialmente, título de cinebiografia musical mais rentável da história, atuação aclamada de Jaafar Jackson e uma crítica dividida sobre o recorte "seguro" da narrativa. Você já assistiu? Concorda com a crítica ou acha que o filme merecia mais elogios?