A ligação com Bleach: a Soul Society tem uma filial no Ocidente
Aqui está o ponto que faz fã de Bleach arregalar o olho. Burn the Witch confirma que a Soul Society não é só a versão japonesa que a gente conhece, com o Gotei 13, as zanpakutous e os capitães de haori. Existe uma Soul Society do Ocidente, com base em Londres. E a Wing Bind faz parte dela.
Ou seja: o mundo de Bleach é muito maior do que Ichigo e companhia sugeriam. Enquanto os shinigamis cuidam das almas no Japão, existe todo um aparato no Ocidente funcionando com outra lógica, outra estética e outros inimigos. Os dragões ocupam o espaço que os Hollows ocupavam em Bleach, mas com uma diferença importante: eles fazem parte do equilíbrio do mundo e não são só ameaça a ser exterminada.
O Kubo espalha detalhes que conversam com Bleach sem precisar explicar tudo. O jeito como o mundo espiritual se sobrepõe ao humano, a ideia de organizações burocráticas cuidando do sobrenatural, a hierarquia e os títulos pomposos. Quem conhece Bleach vai reconhecer o DNA. Quem não conhece consegue acompanhar sem problemas, porque a obra se sustenta sozinha.
Uma teoria que circula entre os fãs, e que eu acho bem defensável: o Kubo usou Burn the Witch como laboratório para expandir o universo de Bleach depois do final polêmico do mangá. Muita coisa que ficou mal explicada no arco final de Bleach, como a estrutura do mundo espiritual fora do Japão, ganha contexto aqui. Não é confirmação oficial, mas as peças se encaixam bem demais pra ser coincidência.Burn the Witch Explicado: o Spin-off de Bleach e Onde Assistir no Brasil
Por André Rodrigues · 07 de out. de 2026
Imagem: Imagem: Studio Colorido / Shueisha (via AniList)
Bleach: Thousand-Year Blood War está nos episódios finais. A parte 4, The Calamity, estreou em julho e tem encerramento previsto pra este mês. Quando o último episódio passar, muita gente vai ficar com aquela sensação de vazio de fim de saga. E é aí que entra uma obra que pouca gente no Brasil conhece direito: Burn the Witch.
Ela é curta, estilosa, se passa no mesmo universo de Bleach e tem a assinatura do Tite Kubo em cada quadro. Também é, sendo bem sincero, uma obra inacabada. Bora entender o que ela é, como se conecta com a Soul Society e se vale a pena entrar nessa.
O que é Burn the Witch
Burn the Witch começou como um one-shot de 62 páginas publicado na Weekly Shonen Jump em julho de 2018. Foi o primeiro trabalho do Kubo depois do fim do mangá de Bleach, em 2016. A recepção foi tão boa que, em 2020, ele voltou com uma "primeira temporada" em quatro capítulos, publicada entre agosto e setembro na mesma revista.
O formato de temporada combina com a proposta: Burn the Witch funciona em blocos curtos, quase como uma série de TV britânica, com um arco fechado e uma pausa antes do próximo. O problema é que a segunda temporada foi anunciada lá em 2020 e, até agora, não deu as caras. Mais sobre isso no final.
A premissa: dragões, Londres e duas bruxas mal-humoradas
A história se passa na Londres Reversa, uma espécie de lado oculto da cidade, invisível pra maioria das pessoas. É ali que vivem os dragões. E esses dragões não são só monstros: segundo a própria obra, eles estão ligados a 72% de todas as mortes da história de Londres. Pois é.
Quem cuida dessa bagunça é a Wing Bind, uma organização que protege e controla os dragões. As protagonistas são Noel Niihashi e Ninny Spangcole, duas bruxas que trabalham como agentes de proteção da Wing Bind, encarregadas de proteger e manejar os dragões de Londres.
A dinâmica entre as duas é o coração da obra. Noel é séria, seca, quase robótica, e responde tudo com uma frieza que beira o cômico. Ninny é marrenta, vaidosa, adora ser o centro das atenções e não perde uma oportunidade de brigar. É uma dupla de policial bom e policial que quer ir embora mais cedo.
Pra completar, entra em cena Balgo, um colega de escola da Noel que acaba envolvido com um dragão perigoso e vira o centro da confusão da primeira temporada. Ele traz uma energia de comédia que equilibra o jeito sério da Noel.
A ligação com Bleach: a Soul Society tem uma filial no Ocidente
Aqui está o ponto que faz fã de Bleach arregalar o olho. Burn the Witch confirma que a Soul Society não é só a versão japonesa que a gente conhece, com o Gotei 13, as zanpakutous e os capitães de haori. Existe uma Soul Society do Ocidente, com base em Londres. E a Wing Bind faz parte dela.
Ou seja: o mundo de Bleach é muito maior do que Ichigo e companhia sugeriam. Enquanto os shinigamis cuidam das almas no Japão, existe todo um aparato no Ocidente funcionando com outra lógica, outra estética e outros inimigos. Os dragões ocupam o espaço que os Hollows ocupavam em Bleach, mas com uma diferença importante: eles fazem parte do equilíbrio do mundo e não são só ameaça a ser exterminada.
O Kubo espalha detalhes que conversam com Bleach sem precisar explicar tudo. O jeito como o mundo espiritual se sobrepõe ao humano, a ideia de organizações burocráticas cuidando do sobrenatural, a hierarquia e os títulos pomposos. Quem conhece Bleach vai reconhecer o DNA. Quem não conhece consegue acompanhar sem problemas, porque a obra se sustenta sozinha.
Uma teoria que circula entre os fãs, e que eu acho bem defensável: o Kubo usou Burn the Witch como laboratório para expandir o universo de Bleach depois do final polêmico do mangá. Muita coisa que ficou mal explicada no arco final de Bleach, como a estrutura do mundo espiritual fora do Japão, ganha contexto aqui. Não é confirmação oficial, mas as peças se encaixam bem demais pra ser coincidência.
A ligação com Bleach: a Soul Society tem uma filial no Ocidente
Aqui está o ponto que faz fã de Bleach arregalar o olho. Burn the Witch confirma que a Soul Society não é só a versão japonesa que a gente conhece, com o Gotei 13, as zanpakutous e os capitães de haori. Existe uma Soul Society do Ocidente, com base em Londres. E a Wing Bind faz parte dela.
Ou seja: o mundo de Bleach é muito maior do que Ichigo e companhia sugeriam. Enquanto os shinigamis cuidam das almas no Japão, existe todo um aparato no Ocidente funcionando com outra lógica, outra estética e outros inimigos. Os dragões ocupam o espaço que os Hollows ocupavam em Bleach, mas com uma diferença importante: eles fazem parte do equilíbrio do mundo e não são só ameaça a ser exterminada.
O Kubo espalha detalhes que conversam com Bleach sem precisar explicar tudo. O jeito como o mundo espiritual se sobrepõe ao humano, a ideia de organizações burocráticas cuidando do sobrenatural, a hierarquia e os títulos pomposos. Quem conhece Bleach vai reconhecer o DNA. Quem não conhece consegue acompanhar sem problemas, porque a obra se sustenta sozinha.
Uma teoria que circula entre os fãs, e que eu acho bem defensável: o Kubo usou Burn the Witch como laboratório para expandir o universo de Bleach depois do final polêmico do mangá. Muita coisa que ficou mal explicada no arco final de Bleach, como a estrutura do mundo espiritual fora do Japão, ganha contexto aqui. Não é confirmação oficial, mas as peças se encaixam bem demais pra ser coincidência.📖 Continue lendo
O anime: filme de 2020 e o especial #0.8
A adaptação animada saiu em 2 de outubro de 2020 no Japão, como um filme de cerca de uma hora produzido pelo Studio Colorido, com direção de Tatsuro Kawano. A Crunchyroll lançou essa versão no mundo dividida em três episódios.
Depois, em 30 de dezembro de 2023, chegou Burn the Witch #0.8, um especial de cerca de meia hora que adapta o capítulo de prólogo. Também está na Crunchyroll.
Visualmente, o filme é bem bonito, com cores fortes, Londres estilizada e dragões com design criativo. O ponto fraco é o ritmo. Comprimir os quatro capítulos num filme deixou algumas viradas corridas, e quem não leu o mangá pode achar que faltou explicação. Ainda assim, pela duração curta, vale demais como experiência de uma noite.
O mangá no Brasil
A Panini anunciou Burn the Witch em 2021 e lançou o volume que reúne a primeira temporada. É um volume só, e a leitura leva menos de uma tarde. O traço do Kubo está no auge aqui, com as páginas limpas, as poses cheias de estilo e o uso de espaço em branco que ele dominou em Bleach.
Se você vai escolher entre ler e assistir, minha recomendação é ler primeiro. O mangá tem as piadas no tempo certo e os detalhes do mundo que o filme corta.
A segunda temporada vai sair?
Essa é a pergunta que todo fã faz e a resposta honesta é: ninguém sabe. A segunda temporada foi anunciada em setembro de 2020, junto com o fim da primeira. Desde então, o Kubo se dedicou intensamente ao anime de Bleach: Thousand-Year Blood War, supervisionando a adaptação de perto e até escrevendo material inédito pra ela.
Com Thousand-Year Blood War chegando ao fim este mês, existe uma esperança razoável de que o Kubo tenha mais tempo pra voltar a Burn the Witch. Mas isso é especulação. Até agora, não existe data nem anúncio novo.
Vale a pena?
Se você é fã de Bleach, sim, sem dúvida. É uma oportunidade de ver o universo que você ama por outro ângulo, com a mesma assinatura visual e o mesmo senso de estilo.
Se você nunca viu Bleach, também vale, desde que você entre sabendo que é uma obra curta e sem final. Funciona como um aperitivo estiloso de fantasia urbana com dragões, não como uma saga completa.
Veredito do Mestre
Burn the Witch é o Tite Kubo fazendo o que ele faz de melhor: criar um mundo com estética marcante e personagens com atitude em pouquíssimas páginas. O maior defeito da obra é ser pouca, e isso é quase um elogio. Eu colocaria no topo da lista de qualquer fã de Bleach que estiver sentindo o vazio do fim de Thousand-Year Blood War. É curta, é bonita e deixa o gostinho de que a Soul Society ainda tem muita história pra contar. Agora é torcer pro Kubo lembrar disso.
O mangá no Brasil
A Panini anunciou Burn the Witch em 2021 e lançou o volume que reúne a primeira temporada. É um volume só, e a leitura leva menos de uma tarde. O traço do Kubo está no auge aqui, com as páginas limpas, as poses cheias de estilo e o uso de espaço em branco que ele dominou em Bleach.
Se você vai escolher entre ler e assistir, minha recomendação é ler primeiro. O mangá tem as piadas no tempo certo e os detalhes do mundo que o filme corta.
A segunda temporada vai sair?
Essa é a pergunta que todo fã faz e a resposta honesta é: ninguém sabe. A segunda temporada foi anunciada em setembro de 2020, junto com o fim da primeira. Desde então, o Kubo se dedicou intensamente ao anime de Bleach: Thousand-Year Blood War, supervisionando a adaptação de perto e até escrevendo material inédito pra ela.
Com Thousand-Year Blood War chegando ao fim este mês, existe uma esperança razoável de que o Kubo tenha mais tempo pra voltar a Burn the Witch. Mas isso é especulação. Até agora, não existe data nem anúncio novo.
Vale a pena?
Se você é fã de Bleach, sim, sem dúvida. É uma oportunidade de ver o universo que você ama por outro ângulo, com a mesma assinatura visual e o mesmo senso de estilo.
Se você nunca viu Bleach, também vale, desde que você entre sabendo que é uma obra curta e sem final. Funciona como um aperitivo estiloso de fantasia urbana com dragões, não como uma saga completa.
Veredito do Mestre
Burn the Witch é o Tite Kubo fazendo o que ele faz de melhor: criar um mundo com estética marcante e personagens com atitude em pouquíssimas páginas. O maior defeito da obra é ser pouca, e isso é quase um elogio. Eu colocaria no topo da lista de qualquer fã de Bleach que estiver sentindo o vazio do fim de Thousand-Year Blood War. É curta, é bonita e deixa o gostinho de que a Soul Society ainda tem muita história pra contar. Agora é torcer pro Kubo lembrar disso.