Depois de mais de duas décadas sem sequer trocar um aceno, Marvel e DC voltaram a colocar seus personagens no mesmo universo — e o resultado está sendo tão bizarro quanto viciante. Nesta semana, os dois maiores nomes dos quadrinhos lançam nas lojas as coletâneas físicas que reúnem tudo o que rolou desde que essa parceria foi retomada em 2025: Deadpool encontrando Batman, Superman apertando a mão do Homem-Aranha e crossovers digitais quase escondidos que poucos fãs sabem que existem.
A DC lançou a sua coletânea "The Cosmic Kiss Caper & Other Stories" no dia 8 de setembro, e a Marvel lança a dela, "The Dead of Knight and Other Stories", hoje, 15 de setembro. Se você perdeu o fio da meada de como Superman e Homem-Aranha voltaram a se encontrar depois de 1976, ou nem sabia que Deadpool e Batman tinham feito uma dupla, esse é o momento de se atualizar — porque a treta (boa) está longe de acabar.
Como Tudo Começou (De Novo)
Marvel e DC já haviam cruzado seus universos antes, claro. O clássico "Superman vs. the Amazing Spider-Man", de 1976, é praticamente uma relíquia sagrada para colecionadores: foi a primeira vez que as duas editoras rivais dividiram uma página. Depois disso, rolaram alguns encontros esporádicos ao longo dos anos 1990 e 2000, incluindo o já cultuado "DC versus Marvel". Só que, de lá pra cá, um silêncio editorial de mais de 20 anos.
Esse gelo só quebrou em setembro de 2025, quando as duas empresas anunciaram, do nada, que Deadpool e Batman iriam se encontrar em um one-shot. Ninguém esperava, e a repercussão foi imediata.
De Deadpool e Batman a Superman e Homem-Aranha
O pontapé inicial foi "Marvel/DC: Deadpool/Batman" #1, publicado pela Marvel em setembro de 2025, seguido por "DC/Marvel: Batman/Deadpool" #1, publicado pela DC dois meses depois, em novembro. O sucesso foi tanto que os dois títulos dominaram as paradas de vendas do ano: "Deadpool/Batman" foi o quadrinho mais vendido de 2025 nos EUA, e "Batman/Deadpool" ficou em terceiro lugar geral, segundo o ranking da ComicHub.
Animadas com a resposta do público, as editoras foram além e trouxeram de volta a dupla mais simbólica de todas: Superman e Homem-Aranha. A DC publicou "DC/Marvel: Superman/Spider-Man" #1 em 25 de março de 2026, escrito por Mark Waid com arte de Jorge Jiménez, trazendo ainda sete histórias extras assinadas por nomes como Tom King, Matt Fraction, Gail Simone, Christopher Priest, Greg Rucka e Jeff Lemire — uma verdadeira reunião de peso-pesados dos roteiristas de quadrinhos. Um mês depois, em abril, foi a vez da Marvel responder com "Marvel/DC: Spider-Man/Superman" #1, com roteiro de Brad Meltzer (em sua estreia na editora) e arte de Pepe Larraz, reunindo o Aracnídeo e o Homem de Aço contra uma aliança entre Lex Luthor e o Duende Verde, com histórias extras de Brian Michael Bendis, Geoff Johns e Jason Aaron, entre outros.

Os Crossovers Digitais Que Quase Ninguém Viu
Enquanto as edições impressas ganhavam as manchetes, Marvel e DC também testaram o formato digital de rolagem vertical — aquele estilo pensado para celular, popularizado pelos webtoons. Foi assim que saíram "Thor/Shazam!" (2025) e "It's Jeff/Aquaman" (2026) pela Marvel Unlimited, além de "The Flash/Fantastic Four", de Jeremy Adams e Adrian Gutierrez, e "Supergirl/Blade" pelo lado da DC Universe Infinite. São histórias mais curtas e despretensiosas, mas que ajudaram a manter o interesse do público aceso entre um grande lançamento e outro — e que agora, pela primeira vez, ganham versão impressa dentro das coletâneas.
As Coletâneas Que Chegam Agora
E é exatamente aí que entram os dois volumes desta semana. A DC lançou, em 8 de setembro, "DC/Marvel: The Cosmic Kiss Caper & Other Stories", com 176 páginas reunindo o crossover de Grant Morrison e Dan Mora, o "Superman/Spider-Man" de Mark Waid e Jorge Jiménez, e as histórias digitais de "Flash/Fantastic Four" e "Supergirl/Blade" impressas pela primeira vez. Já a Marvel lança hoje, 15 de setembro, "Marvel/DC: The Dead of Knight and Other Stories", com 192 páginas trazendo "Deadpool/Batman", o "Spider-Man/Superman" de Brad Meltzer e Pepe Larraz, e os digitais "Thor/Shazam!" e "It's Jeff/Aquaman". Os dois volumes saem em capa dura (US$ 29,99) e brochura (US$ 19,99), com capa de Mark Bagley na edição da Marvel.
Por Que Isso É Tão Bizarro (e Tão Bom)
Vale lembrar que Marvel e DC são, na prática, rivais históricas — competem pelo mesmo público, pelas mesmas prateleiras e, não raro, pelos mesmos roteiristas e desenhistas. Ver as duas editoras coordenando lançamentos, dividindo direitos de personagens e colocando Lex Luthor de olho no Duende Verde na mesma página é, para qualquer fã de longa data, uma quebra de paradigma comparável a ver dois arqui-inimigos jogando no mesmo time.
Do ponto de vista comercial, a jogada fez todo sentido: cada anúncio virou notícia, cada lançamento vendeu bem acima da média do mercado de quadrinhos físicos (que vive um momento de retração), e a repercussão nas redes sociais ajudou a atrair leitores que haviam abandonado o hábito de comprar HQs impressas. Segundo as próprias editoras, mais crossovers digitais em formato de rolagem vertical já estão confirmados para o restante de 2026, ainda sem detalhes revelados — o que sugere que essa parceria improvável veio para ficar, pelo menos por enquanto.
Se você é fã de Homem-Aranha, Batman, Superman ou Deadpool, os dois volumes já estão nas lojas de quadrinhos e nas principais varejistas online. E se a experiência de ver os dois maiores universos dos quadrinhos se encontrando de novo depois de 20 anos ensinou alguma coisa, é que nenhuma rivalidade editorial é forte o bastante para resistir a uma boa oportunidade de vendas — e a gente, leitor, só tem a ganhar com isso.